sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Quando verão chegar...


O mar parecerá uma miragem de tão azul e cristalino. As cortinas do quarto dançarão com a brisa que entrará de manhã cedo pela minha janela aberta. Acordarei cedo e correrei na enseada de Botafogo, respirando um ar puro como se fosse no campo, como jamais houvesse poluição, nem asfaltos, nem carros nem buzinas. A rua em silêncio, muito limpa, pessoas felizes e bem humoradas. As rosas vermelhas, amarelas, violetas de cores tão vivas que até parecerão pintadas. O ar puro, a brisa, o sol, o mar... após um inverno triste e sofrido, chegara o verão enfim...

Na cozinha, consigo preparar meu próprio café da manhã com êxito – pão de queijo, frutas, suco de laranja. Ligo a TV e apenas notícias boas são destacadas: Sem crise econômica; No fim de semana não foi registrado nenhum índice de violência. Não há seca nem pobreza no nordeste, tampouco enchentes no sul/sudeste. O número de empregos cresceu; e não há pessoas morando nas ruas. Sorrio com satisfação em viver neste mundo. Limpei a cozinha rapidamente. Hora de me arrumar. Me olho no espelho e estou magra; A pele limpa, sem nenhuma cicatriz de acne; As celulites e estrias sumiram; Meus cabelos sem frizz, nem precisam de reparador de pontas. Ops! Tenho que ir à minha orientação de tese. O celular toca. É minha orientadora informando que meu texto está perfeito, não há nada a ser corrigido. Informou que o texto está tão maravilhoso, que eu nem preciso mais de orientação de tese, me pediu para ficar em casa produzindo e só aparecer para marcar a data da defesa. Aproveitou também a oportunidade para informar que a Presidente da República quadruplicou o valor da bolsa de doutorado, por entender a importância da educação para o desenvolvimento de um país. Desliguei desacreditada. Uau! Voltei à minha mesa de estudos. Sentei e comecei a escrever prazerosamente sobre o meu objeto de pesquisa. Iluminada, as ideias surgiam claras, e fáceis. Olhei para janela e um pássaro cantava para mim... nasciam margaridas brancas no jardim do prédio, e tudo estava em perfeita harmonia. Não, não! As pessoas não morriam na fila do SUS, e não havia mais corrupção no mundo. A saudade não molhava meus olhos. Pasárgada existe, e é só tomar um ônibus e descer no próximo ponto. Não se preocupe, também não há trânsito.


Escrevi por horas, quando de repente o telefone tocou outra vez, então uma voz conhecida falou delicadamente o meu nome, e disse que sentia saudades, que não conseguia mais viver sem mim; que precisava de mim para ser feliz. Pediu para irmos ao Caribe; Ilhas gregas; Paris; Veneza. Insistiu por horas para sermos felizes juntos. Eu disse que sim, claro que sim, mil vezes que sim! Olhei em volta e as malas já estavam prontas; as passagens compradas. “Leve os materiais de sua tese” disse ele. O interfone tocou. Estava na hora. Os pássaros ainda cantavam na janela. Puxei às malas, desci para limusine que me esperava, e embarquei rumo a....

ps: Já que tudo dá errado, resolvi delirar tudo dando certo...



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