quarta-feira, 12 de novembro de 2008

USAMERICANOS



(Por Delman Ferreira)
Belizário, o perguntador das perguntinhas pontiagudas, andava meio encafifado com o bombardeio de notícias sobre as eleições nos Estados Unidos. Foi lá pra mercearia de D. Sofia puxando assunto só pra ver o que o povo tava pensando.

Ficou ainda mais injuriado com o que viu e ouviu. Todo o Morro do Baco Baco estava empolgado. Era gente falando que “os americanos são isso, os americanos são aquilo”. No acento popular, soava como se falassem “usamericanos”. “Usamericanos pra cá, usamericanos pra lá”. Cada vez que aparecia qualquer coisa na TV sobre usamericanos, todo mundo parava o que tava fazendo pra prestar atenção. Até parecia notícia de futebol.

Obama já era íntimo. Se passasse pelo Baco Baco, iam chamar pra tomar uma e contar piadas de negão.

D. Sofia, percebeu que Belizário não tava gostando nada daquele oba oba, chegou-se e perguntou:
- Belizário, o que é que tu achas que vai acontecer se o Obama ganhar? Usamericanos vão parar de fazer guerras pelo mundo?

Belizário matutou, vacilou, ficou calado um tempo. Pensou que o melhor era continuar calado e deixar o povo curtir o espetáculo. Afinal, a opinião dele não mudaria absolutamente nada mesmo.
Ele tinha certeza que D. Sofia saberia ouvir. Confessou, somente pra ela, que não acreditava que muita coisa fosse mudar.

D. Sofia, disse ele, a impressão que eu tenho é que até agora ninguém sabe exatamente quem é esse Obama. A única certeza que a gente pode ter é que ele não é isso tudo o que aparece na TV. Ninguém é assim tão perfeito.

Toda aquela pose, toda aquela disposição, no sol, na neve, “na rua, na chuva, na fazenda", toda aquela felicidade. Cada corridinha, cada passada, cada parada. Cada gesto, cada olhar, cada sentimento. Cada ação, cada reação. Cada inspiração, cada expiração, cada pulsar do coração. Tudo é marketing, tudo é estudado, tudo é medido, tudo feito pra agradar do jeitinho que eles gostam. Assim como um produto que eles fazem propaganda. Uma mercadoria dessas que a senhora, D. Sofia, vende aqui na mercearia.

Fico muito preocupado porque ninguém sabe exatamente o que está guardado dentro daquele embrulho bem arranjado e bem vendido.

Não estou querendo dizer que o outro é melhor. O que acho é que não existem grandes diferenças entre eles. Um traz em si o velho estilo, sem muitos disfarces, é o velho soldado pronto para erguer a bandeira sobre todo e qualquer Iwo Jima. O outro é muito mais moderno, sabe falar a linguagem dos jovens, dos velhos, das mulheres, dos negros, dos hispanos, dos gregos e dos troianos, sabe usar internet, sabe olhar firme pra TV, sempre de voz macia, sem alterações, com emoções estudadas. "Hay que endurecer pero sin perder la ternura jamás".

Sempre superior. Sempre o mesmo. Sempre o pensamento usamericano. Sempre o mesmo olhar usamericano para o mundo. Usamericanos sempre se comportaram como se o resto do mundo fosse um quintal no qual eles podem se apropriar do que quiserem para manter seu poder.
Obama diz que vai mudar o mundo (“Change the World”). Não seria melhor mudar o jeito que usamericanos vêem o mundo? Como ele pretende mudar o mundo? Com que métodos? Com que armas? Só com o charme? Mudar por quê? Mudar pra quê? Mudar o quê?

O velho soldado seria mais um sem brilho a ocupar a casa Branca por 4 ou 8 anos. Mentindo as mesmas mentiras de sempre. Fazendo as mesmas guerras de sempre. Combatendo o mesmo “terrorismo” de sempre. Com o mesmo macarthismo de sempre.

O outro vem envolto pela novidade, pela curiosidade, pela modernidade, pelo destaque que ganhou durante todo este tempo de superexposição na mídia mundial. Com toda a imagem carismática com que foi embalado.

Perigoso exatamente pelo charme. Torcemos para que nunca aconteça, mas, quem resistiria se o pop star do momento, o grande vencedor, cavalgando a maior máquina bélica do mundo, manejando a maior máquina de propaganda do mundo, resolvesse “to change the world” impondo padrões usamericanos? O mundo resistiria a mais do mesmo? Resistiria a uma nova onda de american way of life? O Planeta resistiria?

Qual seria a reação do pensamento colonizado aqui abaixo do equador se usamericanos resolvessem espichar olhares cobiçosos para nossa energia e para o que ainda nos resta de recursos naturais?

Usamericanos andam muito incomodados com a perda mundial do prestígio made in USA. Vão exigir do próximo presidente que recupere espaço e tempo perdidos. Como se dará a tentativa de retomada da hegemonia usamericana? Dada a crise do momento, como se dará a disputa pela nova ordem mundial? Com um doce olhar sorridente?

A queda de prestígio usamericana poderia levar à derrocada do pensamento único. O mundo poderia se abrir para a diversidade. A vitória de um negro nos EUA significa a vitória da diversidade? Ou pode significar o recrudescimento da tentativa de impor ao mundo padrões usamericanos?

Aproveitando o deslumbramento, a euforia, a curiosidade, a expectativa positiva, o prestígio e a receptividade para suas propostas, ele pode agir rápido - muito rápido. Antes que o mundo se recupere da ressaca da festa, poderá tentar, rápida e irreversivelmente, “change the world”.
Música, cinema, esportes, Walt Disney, Mickey Mouse, Zé Carioca, Carmen Miranda, coca-cola, fast food, obesidade, ser-mercadoria, vazio existencial - seremos novamente bombardeados pelo jeitinho usamericano de ser?

- Tá certo, tá certo, interrompeu D. Sofia, mas o que é que fazemos, então? Torcemos pelo outro?

Não, respondeu Belizário. Eles vão escolher o que acham que é o melhor para eles. Nós ficamos com nossos dois pés latino-americanos para trás. Não podemos beber da festa que é deles. Não podemos ficar deslumbrados. Não podemos ficar entorpecidos. Temos que desconfiar de tudo, principalmente das facilidades, das verdades e das certezas que quiserem nos vender. O que usamericanos pensam que é bom para os EUA, costuma não ser muito bom para a humanidade.
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sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Quero ser uma borboleta!



Cada um tem suas razões para cada atitude que se toma. Dificil mesmo mesmo é entender as razões de cada um e aceita-las. Cada pessoa tem o direito de sentir medo, nojo,tensão, amor, desejo, pressa, fome, sentir raiva... sentir!!

O ser humano é sentir, sentir o tempo inteiro, e assim é a nossa vida...

Mas o tempo todo estamos vigilante em nos permitir ou não sentir alguma coisa. E assim fazemos as regras, damos os nomes, estabelecemos horários, regulamos nossos quereres entre o que "é certo ou errado". São os chamados contratos sociais, regras, ou o que quer que seja. E a partir disso criamos na nossa mente uma série de paranóias acreditando que muitas de nossas vontades são indgnas . Será que não podemos simplesmente sentir?

Estamos sempre colocando na balança o que é importante e o que não é, o que queremos mais ou menos, e ai fazemos uma escolha, que pode mudar pra sempre a nossa vida, e que nos torna eternamente resposáveis por uma decisão! Putz, quanta responsabilidade! Parece que não temos mais o direito de escolher, pq arriscar dá medo, é dificil, e se eu errar né? No final escolhemos o que estava previamente estabelecido, e o que todos sabiam que faríamos...

Ninguém merece ser só mais um bonitinho!

Quem não quer ser o perfeitinho?!

A única obrigação que temos é ser justo com a gente! Temos é que ter honestidade com nossas próprias vidas. Diante dessa roda gigante de tantas opções que se colocam a nossa frente, não ha caminhos certos ou errados, ha simplesmente caminhos, estradas, rumos... e a nossa escolha deve ser feita de acordo com o que nos parece ser o caminho da nossa felicidade

Dane-se o que certo ou errado! Tou encarando aquilo que for me trazer mais sorrisos..., quem dá mais?! rs

Sei lá... o ideal seria que aquilo que somos e que sentimos nos fosse leve; sem culpas ou julgamentos sociais, sem repressões... ou qualquer coisa do tipo...

Acho que eu queria mesmo ser uma borboleta.
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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O tempo


Quem sabe se eu ficar olhando pro mar, pras ondas que se movem as vezes rápido e as vezes lentamente, quem sabe se eu dormir profundamente, se eu tirar os olhos do tempo, quem sabe...

Quem sabe, se eu parar de deixar a poeira se acumular dentro dos poros limpos, quem sabe esse sentimento vai embora... e então a vontade de você cessa, e talvez a tristeza não, mas o tempo quem sabe passa...

Quem sabe ser possivel deixar de enxergar o pó vermelho no vão entre os cantos da casa, e esse seu olhar vazio que é para mim uma cilada

Quem sabe um poema me acorda, sem nexos, sem rimas, sem razão, sem mim...

E assim, mais um dia se passa e volto a dormir, olhos pesados, secos, desacordados...

E o tempo? Quem sabe não existe mais, quem sabe é apenas som indecifrável de vida ou morte...




quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Lembranças...


Tenho muitas lembranças suas... creio que a primeira eu tinha uns treze anos de idade! Lembro de você roubando o meu lanche na hora do recreio, e eu a chorar a correr atras de você, porque afinal eu estava com fome! Eu lembro de você figindo fazer cafuné na minha cabeça, tudo só para puxar meu cabelos e me irritar. Eu me lembro das cosquinhas que você fazia até eu perder o folego. Lembro das caronas na garupa da tua bicicleta e daquele beijo forçado que eu achei tão tão nojento!

Lembro dos filmes na TV, dos nomes feios que você me xingava, das mesadas divididas, de apertar a campainha do vizinho e correr, da sua decisão em não me ensinar a soltar pipas, ahhh... do carro roubado! Ahh... e do beijo também!

Lembro da partida, e do abraço, longo abraço... e da minha musiquinha, ahh, essa é você quem lembra!

... as festas de aniversário... os doces comidos em baixo da cama...e dos sonhos malucos que você tinha comigo! Lembro que sempre te dizia: eu não sou menino!

Aposto que quando você dorme ainda sonha comigo, sonha um sonho bem legal e com final feliz!


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quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Desabafinho

Pra começar... eu acho que esse blog esta conspirando contra mim! Toda vez que escrevo o post a página expira! E como hoje eu estou num dia muitoputamermo eu não vou mais tentar postar a crônica de antes. Estou a fim é de falar dos estresses mesmo. perdoe-me os leitores, mas acho que estou na TPM, e ja que cheguei até aqui, bora lá!!
Esses dias tem sido muito dificies pra mim, acho que não estou sabendo conciliar a minha vida de Assistente Social com a minha nvida de mestranda, com a minha vida de estudante de cursinho para concurso público, UFAA!!
Eu tava conversando com uma amiga ontem, falando pra ela sobre essa loucura toda que ando vivenciando, quando ela me solta essa: "bem vinda ao mundo dos adultos, finalmente vocÊ vai deixar de fingir que ainda é uma meninha!!"
Bem eu sei que as vezes faço birra mesmo e pareço criança, mas acontece que eu também sei muito bem o que sou hoje. Há alguns meses atrás a idéia de ser adulta me deprimia, mas hoje em dia acho que lido com ela um pouco melhor. Ando percebendo que tuda na vida tem o seu lado positivo, e que ser adulto tem o seu lado bom. Então hoje digo que ser "adulto" é bom e ruim. O então chamado “mundo adulto” me oferece muitas coisas melhores do que eu imaginava.
Há divergencias: me sinto muito stranha em relação a tudo isso. Estou cansada de cobranças, afinal quem paga as minhas contas?? R: Euuuuuuuuuu
Hoje me ligaram cedo e queriam que eu fosse acompanhar uma ação de despejo contra idosos. E lá fui eu, foi-se o meu lado profissional adulto. Quando chegamos lá, cenário: um senhor muuuito idoso sentado a chorar numa cadeira de madeira no portão da casa em que viveu por 14 anos, uma casa de um vão, muiito pobre, com 4 crianças dentro e mais uma senhora também muito idosa, preocupada, sem saber pra onde sua familia iria morar. Meu coração: despedaçado né! Engoli seco e fui até lá, pra tentar explicar pra essas pessoas o que iria acontecer, e tentar arrumar naquele exato momento um lugar pra mandar os idosos( afinal é pra isso que me pagam!). Nossa, tudo muito tenso, eu muito tensa, todos tensossss. A familia foi despejada, pq não tinham r$ 3.100 reais para pagar a caixa economica! ahhhhhhhhhh, socorroooo, dá vontade e morrer diante dessas coisas! E eu linda? Lá, com uma fome desgraçada, acompanhando tudinhoo. E ai quando eu chego em casa as pessoas me cobram um comportamento adulto! Poxa vida, eu sou adultaaaaaaa!! Será que eu preciso chegar mau- humorada em casa todo dia, e reclamando das contas e dos juros do meu cartão de crédito? Poxa, o meu trabalho é muito adultoooooo!
Eu gosto do jeito criança de ser; as crianças nunca perdem a pose, elas não tem inimigos, fazem tudo muito amostra. Brigam, xingam, as vezes se batem, mas são pancadas sinceras, de frente, na cara, anunciando; e depois??? É so gargalhadas; das brigas, das quedas, dos proprios apelidios, que surgiram por causa da briga.
Os adultos são dissimulados, agressivos, quase nunca se enfrentam de frente, as pancadas vem atraves de verbos duros, maldosos. E nem sempre eles saem da boca dos os atiram: eles chegam atraves dos correios dos covardes que insistem em mandar seus mensageiros de socos verbais.
Se é assim prefiro a minha infatilidade, prefiro arriscar ter um olho roxo, tem problema não, na minha casa tem gelo! Prefiro deixar que pensem que sou criança do que ser como certas pessoas que que perderam a essência do frescor de vida e passaram a tentar ser aberrações comportamentais.
Quem me dera ser poupada da presença de alguns adultos!
Eu preciso voltar a estudar com mais prioridade, a tapar meus ouvidos para os cometários maldosos dessa gente que não sabe o que é ser feliz! Eu preciso encontra tempo pra desenhar, e ter passatempos divertidos e saudáveis. Tenho medo de ficar parecida com alguns adultos que conheço. A verdade é que eu ando estressada com tanto trabalho e com tanta coisa pra estudar;
olhem só, nem no meu blog eu escrevo mais direito…
É sempre bom fazer algo que não seja trabalhar vítimas de abusos sexual, trabalhar abuso contra idosos, mulheres, ler, contextualizar, escrever, entender, perceber, analisar e identificar... aff, minha vida tem girado em torno da minha profissão e isso não tem me feito bem!
Não estou reclamando, até por que eu gosto muito de tudo isso. Adoro muito isso tudo e não foi à toa que resolvi estudar e fazer tudo isso à fundo. Mas eu preciso cuidar de mim também, e não tenho feito isso como eu deveria, o meu EU esta precisando de mim, não so de mim, mas essa é outra história...
Bem, voltando pro inicio... eu nem sei e sou adulta, mas de uma coisa eu tenho certeza, Criança eu também não sou!!
“Bem vinda ao mundo adulto! Seria isso”? Talvez. Pode até ser, mas ainda assim, quero conservar um pouco da minha essenci infantil!! Quem sabe eu ja cresci e ninguém percebeu, nem eu mesma??? Bem, se for assim, vou fazer o possível pra não deixar que isso prejudique a minha personalidade, as coisas que gosto, as coisas INÚTEIS QUE EU ADORO, é tudo uma questão de saber dosar...
Bem é isso... um pouco melancólico, reclamão... bem que eu tentei postar uma crônica, mas... o blog não deixou, entãoo, espero que agora ... a net me ajude!
beijos a quem os mereça!
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Delírios de uma Flor de Estufa





Se aproximava quase que diariamente do espelho, envergonhada, olhava pra si e não via o que desejava, a beleza que não se mostra destruia a oportunidade que ela tinha de ser o que é. Os cabelos negros caiam sobre os seus ombros de forma pura e delicada.As sobrancelhas bem delineadas , as vezes lhe dão um ar de maturidade, mas na verdade, ela não passa dos vinte. Aproximava-se cada vez mais do espelho... as mãos apoiadas na parede, talvez fosse um breve delí­rio. Era o desejo de si mesma que a consumia. Sem querer esbarrou no interruptor e a luz cessou. Agora, ela se percebia na penumbra de um quarto vazio e escuro...


Demorou-se no vão da porta do seu quarto, a casa aparentemente silenciosa permitia-lhe ouvir seus próprios pensamentos e angústuias de de forma bem clara e viva...ouvia o alarme do telefone tocar e seus monstros internos gritavam chamando pelo seu nome. Não atendeu o telefone, apenas o desligou... a empregada achou tudo muito estranho, mas ela não se importava. Deixe-me ficar! era apenas o que ela tentava pedir. O vento sussurra em seus ouvidos, abraçava o seu corpo... e ela percebeu que o seu jardim é de flores de papel... papel escuro, molhados, manchados, sujo... Percebeu que mentiu sobre si mesma durante toda a vida...


Estava fora do alcande de si mesma. Vivia num mundo onde tudo era caos.

O pesadelo: ela construi seu próprio mundo para fugir dele...o som do seu próprio grito a sufocava...Não consiguia cessar o medo das noites silenciosas em que seus monstros a visitavam.

O espelho que vai do teto ao chão da parede de sua casa não permitia que ela se escondesse de si mesma . As meias desfiadas pelas unhas quebradas, amarelas, frias e mortas a deixavam mais feia que de costume. Tentou melhorar a aparencia mas não conseguiu; maquiagem preta completamente borrada, os cabelos desarrumados.

Sentia-se não apenas uma perdedora. Sentia que desde sempre foi uma perdedora, e o pior uma perdedora covarde demais, que nunca havia reconhecido sua própria derrota.

Sentia-se como uma flor de estufa, onde sua eterna vida, é uma eterna morte...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

o Céu não é Cor-de-rosa!




Acho que ja tem um tempo que descobri que a vida não é totalmente cor-de-rosa, e que nem tudo tem gosto de chocolate, e que não podemos confiar totalmente em todas as pessoas que dizem nos amar...

O bom de estar ciente dessas coisas é que quando nos acontece algo inesperado, a decepção não mais nos atinge tanto... as palavras não mais penetram como flechas fatais em nossos corações... ahan, ahan! Acho que é como a Cris (vcs não conhecem!) me falou nas últimas semanas... acho que isso faz parte do meu amadurecimento, ou do tal de crescimento interior...

Há um tempo, qualquer acontecimento tosco me abalava, com direito a lágrimas e sentimentalismos daqueles que nos afetam por alguns dias. Hoje percebo, olhando como se não fosse comigo, que os sentimentos começam, lentamente, a ser treinados para as inevitáveis decepções, pois se tudo der certo, ainda terei muitas!!! ahuahauahuaaa

Sabe, eu gostaria de poder visualisar pra vida de todos um lindo céu-cor-de-rosa, iguais aqueles que eu pensei existir quando era criança... quem sabe, poder visualisar um mundo um pouco melhor ou fazer das pessoas verdadeiros seres humanos…

HUmm, é, é! eu sei que isso pode parecer frase feita, clichê, mas as coisas que acontecem no mundo, a forma como vejo as pessoas se comportarem, seja no meu trabalho, na minha casa, no lugar em que eu estudo, no onibus, sei lá... me assusto quase que diariamente com o que vejo lá fora

No entanto, não é mais aquela decepção quase mortal de uns tempos atrás, é apenas um imenso desejo de querer viver num mundo melhor. Eu gostaria de poder fugir de certas coisas que vejo acontecer ao meu redor, fugir de ver a forma como pessoas tão próximas a mim se comportam, fugir de precisar conviver com algumas delas...

É preciso que TODOS, e até eu mesma, pois não sou melhor que ninguém, entenda que cada ação provoca uma reação, e que cada palavra, gesto, atitude pode causar marcas, mágoas, indelevéis, sofridas dolorosas na vida de determinadas pessoas... algumas que pode não ter nada com o acontecido!

Bejin

Laís...


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